Distinção e integração entre a perspectiva normativa e científica do conceito de transição agroecológica

RESUMO
O conceito de transição agroecológica possui conteúdo científico e normativo. Essa dupla característica traz a indagação sobre a validade de seu uso científico diante de sua característica normativa. Essa indagação surge porque os cientistas ligados à ciência tradicional pretendem que a ciência esteja desligada de suposições de valor (conteúdo normativo) como resultado de sua pretensão de objetividade. Além disso, os propositores do conceito de transição agroecológica não distinguem com clareza os aspectos científicos e normativos deste conceito. Como consequência, a integração entre esses aspectos não ocorre com clareza sobre suas diferenças e conexões. Para tratar sobre essa situação propomos a distinção entre as perspectivas normativa e a científica do conceito de transição agroecológica. Para construir essa distinção e realizar os exames teóricos, utilizamos o princípio metodológico da triangulação sistêmica. Sustentamos que a validade científica do conceito de transição agroecológica pode ser mantida, se for suspensa a pretensão de objetividade do cientista, a partir da inclusão clara e delimitada de seus pressupostos normativos na construção do conhecimento. Para isso, propomos que o conceito de transição agroecológica implique a suspensão da objetividade associando sem confundir sua cientificidade à sua normatividade. Sustentamos que essa integração pode contribuir para tornar os cientistas e a sociedade mais conscientes das consequências de suas suposições de valor e dos fatos que consideram relevantes na transição para uma agricultura mais sustentável.

PALAVRAS-CHAVE: Transição agroecológica. Normatividade. Validade científica.

Dadiberto Pereira Azevedo
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – Campus Castanhal

Felipe Addor
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Romier da Paixão Sousa
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – Campus Castanhal

Roberta de Fátima Rodrigues Coelho
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – Campus Castanhal

 

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